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MAURELiANO RIBEIRO DA SILVA (MESTRE MAU)

Nascido e criado na cidade de Olinda, ainda jovem conheceu a tradicional Capoeira de Angola, praticava nas ruas em terreiros e no quintal de sua casa. Envolvido pelo jogo, a música, o canto, os ritmos e a dança, estava sempre presente na roda, mas se aproximou da musicalidade e passou dominar o toque de instrumentos percussivos como o berimbau, atabaque, pandeiro e caxixi.

Trabalhou como serralheiro e exercia, também, o ofício de marceneiro e carpinteiro que herdou do pai quando morava no bairro de Peixinhos próximo ao rio Beberibe. Se desenvolveu na área de percussão musical, junto com amigos do bairro, foi um dos fundadores das bandas Pacúa e Via Sat, e do Grupo Afro Lamento Negro. Ali Mestre Mau, apresentou uma batida potente que serviu de base para a sonoridade do Manguebeat e a criação da banda Chico Science e Nação Zumbi.

Veio com os pais para o bairro de Jardim Primavera, Camaragibe. Aqui seu pai montou uma serralharia para fabricar grades e móveis tubulares e Mestre Mau construiu sua história com a cultura popular e a alma de artesão.

Ao longo da sua vida se dedicou a preservação e valorização da cultura popular, fazendo parceria nas comunidades periféricas, atuando na formação cultural de crianças e adolescentes. Transmitia os saberes, as técnicas e fabricava, caixas, pandeiro, caxixi, berimbau, ilu, abé, agogô, gonguês e sua obra de arte mais perfeita, patenteado com o nome do ritmo e o toque ancestral: Os Tambores Barravento ganharam o mundo.

Mestre Mau, o “cientista de instrumento musical artesanal”, era reconhecido pela técnica refinada, utilizando materiais como madeira de macaíba e jenipapo plantado em seu quintal. Trabalhou com Naná Vasconcelos, Sepultura e Jota Quest, Skank, Paralamas do Sucesso, Cássia Ellem, Côco de Seu Mané, Côco do Catucá, Banda Jussara, Adiel Luna e Cocô Câmara, Grupo Afro Camará, Maracatu Nação de Luanda, Estrela Brilhante, entre tantos Maracatus do Brasil. Em Camaragibe, fundou o Maracatu Cabeça de Nego.

O mestre deixou seu legado e a herança cultural dentro e fora do Brasil. Ele inspira e continua a influenciar. No território sagrado do Quilombo Catucá, no bairro do Viana, município de Camaragibe construiu laços familiares, promoveu a valorização da cultura popular e de matriz africana, o canto e a musicalidade dos povos de terreiro, fortaleceu o espaço e desenvolveu ações educativas para comunidade de forma gratuita. Salve Mestre Mau!!!!

DONA CÉA

Quem é brincante em Camaragibe certamente conhece Dona Cea, a moradora do Bairro Alto da Boa Vista, sempre esteve à frente de agremiações como, Flabelista ou Porta Estandarte. Num tempo onde ter a honra de carregar o estandarte era mais um privilégio masculino, Dona Céa desafiou as convenções e com muita alegria, sorriso no rosto, sua marca registrada, se tornou uma das primeiras mulheres a ser porta-estandarte.

Foliã de carteirinha, viveu os melhores carnavais na terra dos camarás por décadas. O tempo vai passando e nossa homenageada, hoje um pouco mais cansada, não tem mais o fôlego para sair em todos os blocos da cidade, mas ela deixa seu legado para as futuras gerações.

Seu último carnaval desfilando foi em 2017 no bloco flor Camará, mas ela já vivenciou e desfilou no Bloco Amante das Flores, Bloco Riso das Flores, Boi da Tua Mãe, Boi de Dora, Escola de Samba Estrela do Mar, Escola de Samba Águia Dourada, Escola de Samba Couro de Gato, Escola de Samba Rosas de Ouro, em São Paulo, o Bloco Saco Sujo e Cebola Quente, entre tantos outros. Onde tinha folia, ela sempre estava.

A menina que era considerada " pé de valsa" ou dama da noite na seresta que acontecia aos sábados no Club Estrela de Camaragibe, chegou aos 74 anos. Amante da cultura popular, sua paixão continua sendo o mês de fevereiro, época festiva repleta de alegria.

Morando em Camaragibe com sua família desde a década de 1990, Dona Céa é mãe de Andreia Simone e avó de André Ruam, Alexandre Renê, Everson Rawin e Eula Paula. A sua herdeira carnavalesca é a pequena Lyz Akisa, de 8 anos. Tal qual a biza, Lyz já dá mostras de que é uma apaixonada pelo passo e pelo carnaval.



Com informações do pesquisador Clebson Sales, da Fundação de Cultura e Turismo de Camaragibe